© 2015 By Letícia Zica. Proudly created with Wix.com

Flowered Darkness

Walter Benjamin insistia que a fotografia preserva de maneira tanto mais intensa do que a pintura a questão a respeito da pessoa retratada. No trabalho de Letícia Zica, quem se dispõe aos nossos olhos é a própria artista, que fez a si mesma de objeto de sua obra. Estamos diante de uma auto-ficção fundada nessa conhecida experiência criativa e de grande pureza: um eu criador que se faz criatura. Mas essa experiência não se esgota na técnica do autorretrato. Toda a figuração de Flowered Darkness convida à experiência mística-mítica de uma criação. Do mais denso negro, surge um corpo, levemente inclinado, de ombros encolhidos, cabeça reclinada e lábios entreabertos. Como se emergisse do Nada, o corpo parece se doar ao mundo, mas em especial ao observador, ora convidado à uma experiência de sensibilidade singular. Essa é a experiência do feminino, não apenas evidenciada pelo corpo nu figurado, mas pela composição de gestos e pelo simbolismo das flores. E se o arquétipo feminino remete às ideias de doação e vulnerabilidade, no gesto de criação essas são suas forças, a oferta de algo novo e belo. Finalmente, o olhar em flores, como se fosse a alma anunciando sua naturalidade, pede em retorno a mesma contemplação.

 

[Diferente da Górgona, que com seu fatal olhar transforma homens em pedra, este olhar em flores restaura à vida, repondo uma experiência de doação, sensibilidade e beleza. Flowered Darkness: a Anti-Medusa.]

 

Texto escrito por Diego Ramos
 

Flowered Darkness

Walter Benjamin insisted that photography preserves so much more intense than painting about the person portrayed. At Letícia Zica´s work, who has in our eyes is the artist herself, who made herself the object of her work. We are facing a self-fiction founded this known creative experience and great purity: a self creator that makes creature. But this experience is not limited to self-portrait technique. All figuration that Flowered Darkness invites the mystical-mythical experience of creation. In the densest black, emerge a body, gently sloping from shoulders hunched, recumbent and parted lips head. As emerge from nothing, the body seems to give to the world, but especially to the observer, sometimes invited to a unique experience of sensitivity. This is the female experience, not only evidenced by the naked body figured, but the composition of gestures and symbolism of flowers. And if the feminine archetype refers to the donation of ideas of vulnerability, in the act of creating these are your strengths, offering something new and beautiful. Finally, look at flowers, as if the soul announcing its naturalness, asking in return the same contemplation.

 


[Unlike the Gorgon, who with his deadly gaze turns men to stone, this look at flowers restores to life, restoring a donation of experience, sensitivity and beauty.

Flowered Darkness: the Anti-Jellyfish].

 

Text written by Diego Ramos