MY BODY IS 

O trabalho apresentado visa promover uma reflexão sobre como a video performance e a fotografia podem ser vetores de questionamento sobre a representação do corpo feminino em nossa sociedade marcada pelo machismo e construída pelos princípios patriarcais.
A pesquisa visa aprofundar como o corpo nu da mulher pode questionar o espectador sobre a desigualdade de gênero, o pudor, o desejo e as consequências da construção dos estereótipos femininos em relação a desigualdade de gênero e o poder entre o masculino e o feminino. A pesquisa visa compreender como o corpo feminino é considerado sagrado e impuro, como as partes do corpo ditas “femininas” como a vagina e os seios tornaram-se instrumentos sexuais, esquecendo toda a naturalidade do corpo em sua origem.
Para isso utilizo como principal fonte de inspiração os quatro elementos da natureza:

água,

ar,

terra

fogo,

um ciclo natural que procuro desnaturalizar. Com o objetivo de conectar essa dualidade entre natureza e não natureza, entre o que é considerado natural e o que é considerado monstruoso, o corpo é colocado como sujeito principal para questionar suas representações, mas também para fazer uma descoberta de si e de sua imaginação.
Os vídeos são gravados em um ateliê para afirmar a necessidade de um espaço de trabalho e criação como artista, mulher e estrangeira. É neste espaço que o tempo pára, ficar sozinho com o meu aparelho que passa a ser o meu melhor confidente. A escolha de preto e branco é usada aqui para neutralizar as cores, meu corpo e os elementos que uso para interagir comigo mesmo durante as apresentações. Dessa forma, deixo espaço para o visualizador. Cabe a ele poder experimentar as sensações diante do meu corpo nu, de cor neutra, mas alteradas na representação.
A imaginação do outro faz parte da construção desta obra. Em que medida nossa imaginação contribui para reforçar atos violentos?

Deixo as respostas para outros.

Uso meu corpo como uma abertura para o diálogo.

A mutilação do corpo é um elemento, talvez central, das minhas performances.
É na fronteira entre o medo, a modéstia, a vergonha e a negação que tento minha fala. Diante do belo e trágico espetáculo de fragilidade diante da destruição.

MY BODY IS 

 

After two years of study, research, exchanges with artists, friends, and teachers, MY BODY IS is now materialized, taking shape and meaning.
The work aims to promote a reflection on how video performance and photography can be vectors for questioning the representation of the female body in our society – a society that is marked by machismo and built on patriarchal principles.
The research studies how women’s naked bodies prompt viewers to question gender inequality, modesty, desire, and the consequences of the construction of female stereotypes and their relationships to gender inequalities and the power dynamics between masculine and feminine. The research aims to understand how the female body is considered sacred and unclean, how so-called “female” body parts such as the vagina and breasts have become sexual tools, whilst forgetting all the naturalness of the body in its origin.
For this, I use the four elements of nature as my main source of inspiration: 
water
air
earth 
fire
a natural cycle that I try to denaturalise.
The objective is to highlight the duality between natural and non-natural, between what is considered natural and what is considered monstrous.
The body is used as the main subject to question its representations, but also to make a discovery of itself and its imagination.
The videos are recorded in an - atelier - to affirm the need for a space for work and creation as an artist, woman, and stranger. It is in this space that time stops for me. Being alone with my camera, which becomes my best confidant. 
The imagination of the other is part of the construction of this work.
To what extent does our imagination contribute to reinforcing violent acts?
I leave the answers to others.
I use my body as an opening for dialogue.
The mutilation of the body is an element, and perhaps a central one, of my performances. It is through the boundaries between fear, modesty, shame, and denial that I weave my speech. Faced with the beautiful and tragic spectacle of fragility confronted with destruction.

 

leticia zica . 2020