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Decadence

Os muros da nossa casa estão apodrecendo.

Essa casa que ainda é nossa, que ainda dormimos nas mesas camas, tomamos café na mesma mesa.

Enquanto que o muro externo está impecável, o interior apodreceu, assim como nossas relações.

As paredes ganharam uma nova forma, uma vida independente das nossas, e vão seguindo em frente.

Nós, nós paramos no tempo, as dores ficaram suspensas, e hoje nos resta a memória para nos lembrar.

E os muros não nos deixam mentir.

O café não tem o mesmo gosto, a porta do quarto agora fica trancada, com medo.

Nessa casa vivi 18 anos, e hoje não a reconheço mais.

Essa série faz parte da memória da minha mãe e da minha, fizemos esses auto-retratos juntas quando eu estava de passagem pelo Brasil para visitá-la.

Enquanto eu saí de casa, ela ficou.

Ela ficou e assiste lentamente a decadência de uma vida inteira.

Com um olhar cançado, a vida segue.

Os sonhos ainda existem, mas pedem um novo lar.

Decadence

The walls of our house are rotting.

This house that is still our house. We still sleep on the same beds, we still have coffee on the same table.

While the outer wall is flawless, the inner has rotted, as have our relationships.

The walls have taken on a new shape, an independent life besides ours, and they move on.

We, we stopped in time, the pains were suspended, and today we have only the memory to remember.

And the walls won't let us lie.

The coffee doesn't taste the same, the bedroom door is now locked with fear.

The mariage is over. I don’t have a father.

In this house I lived 18 years, and today I don't recognize her anymore.

This series is part of the memory of my mother and mine, we made these self portraits together when I went to Brazil to visit her.

While I left home, she stayed.

I became an shadow in this place, only her presence exists.

She stayed and slowly watched the decay of a lifetime.

With a tired look, life goes on.

Dreams still exist, but they ask for a new home.

leticia zica . 2019